sexta-feira, 7 de março de 2008

O efeito Collonil no Estado

O efeito Collonil no Estado
Um dos fenómenos a que estamos a assistir na Administração Pública é uma vaga de graxa das chefias com o objectivo de ficarem bem na fotografia junto dos dirigentes, como estes são nomeados segundo critérios de confiança pessoal ou política (o que vai dar no mesmo) andam todos empenhados em que o governo fique com boa opinião deles.
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Os concursos para a nomeação de chefias do Estado não passam de uma imensa farsa, fazem-se simulacros de concursos para nomear os mais competentes que já estão escolhidos à partida. Como os dirigentes são escolhidos por confiança dos governantes todas a hierarquia acaba por ser nomeada da mesma forma, o secretário de Estado nomeia o director-geral da sua confiança, o director-geral escolhe o subdirector-geral, este usa o mesmo critério para escolher os directores de serviços que, por sua vez, têm o mesmo cuidado na escolha dos chefes de divisão. O resultado é uma Administração Pública cuja hierarquia se vai transformando numa legião de funcionários que tudo fazem para servir bem o chefe.
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Desde o simples sargento da GNR ao inspector-geral da ASAE desdobram-se em esforços para interpretar os desejos do “chefe” a fim de lhe agradar, se o chefe evidencia tiques de autoridade todos os imitam sendo desastrosamente autoritários, se o chefe gosta de ar ares de eficácia todos tentam adquirir tiques que lhe dê um ar de eficazes.
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É evidente que situações como a visita da PSP a um sindicato ou como agora sucedeu com uma disparatada visita a uma escola não passam de fait divers, mas começam a ser demasiado frequentes para que não mereçam uma reflexão.
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Desta vez alguém da PSP achou que devia ser eficaz e lembrou-se de fazer um levantamento do número e origem dos manifestantes, alguém em Ourém quis ser ainda mais eficaz e foi perguntar à escola. Da próxima vez algum comandante da GNR ainda se lembra de solicitar a pré-inscrição dos manifestantes para melhor lhes assegurar a liberdade de manifestação, da mesma forma que um ex-director-geral dos Impostos tentou recolher dados pessoais de grevistas.
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A cultura da graxa está a instalar-se na Administração Pública, a forma mais eficaz de dar graxa é imitar o chefe nos seus tiques, se o chefe usa cabelo curto vão ao barbeiro, se o chefe veste cinzento todos andam de cinzento, se o chefe é exigentes todos se armam em exigentes. Medem a sua competência pela capacidade de imitar o chefe, lembram-me o tempo em que os militantes do PSD e do CDS andavam todos de casacão verde para imitar Freitas do Amaral quando foi candidato à Presidência da República.
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Se os defeitos de Sócrates não são agradáveis, ver toda uma legião de gente menor a imitar esses defeitos tornam a Administração Pública ridícula. Sócrates não tem culpa, mas isso não significa que não tenha responsabilidades, ao não ter adoptado decisões exemplares em casos como a DREN ou a cigarrilha do senhor da ASAE disse às tropas que apreciava os seus comportamentos excessivos. (O JUMENTO)
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Nota do Papa Açordas: Um excelente post d´O JUMENTO, que vem nos dar razão ao que escrevemos sobre o concurso para directores de serviço, da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve. Só estamos à espera das duas nomeações que faltam, para verificarmos se a lista publicada em Dezembro/2007, acertou em 100 %. Estamos a crer que sim! Deste modo, na DRAPALG a farsa continua...