quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O ensino como instrumento de luta de classes



Quando um governo aumenta o número de alunos por turma para 28 ou 30 alunos no ensino público para poder despedir professores e poupar no ensino e ao mesmo tempo dá ajudas ao ensino privado e exige apenas que as turmas tenham pelo menos 12 alunos está criar uma vantagem ao que estudam no privado e discrimina os alunos do ensino público. Daqui a alguns anos alguém vai chegar à conclusão de que os resultados dos ensino privado são melhores, o que demonstra a superioridade do modelo de ensino assente em escolas privadas.
  
Mas esta abordagem é bem mais grave e visa muito mais do que criar artificialmente uma vantagem competitiva para o ensino privada, na sua essência visa discriminar os cidadãos com menores recursos que não têm alternativas à escola pública. Não bastando as assimetrias sociais o governo quer ainda certificar-se que os filhos das classes mais abastadas ganham vantagem no plano social beneficiando de um ensino melhor.
  
A igualdade é aparentemente reposta no momento do acesso às universidades públicas, que em regra são melhores do que aquela onde o dr. Relvas se transformou milagrosamente num cientista da política certificado por canudo académico. Só que nessas universidades invertem-se os interesses, os mais ricos são os que entram nelas beneficiando do “empurrão” dado no ensino secundário.
  
O ministro das Finanças tira aos pobres e à classe média para dar aos ricos, o Lambretas descobriu que as crianças dos pobres cabem duas em cada cama das creches, o ministro da Saúde cria dificuldades no acesso aos hospitais públicos e, como não podia deixar de ser, o ministro da Educação enxota os pobres das escolas.
Este é o primeiro ministério da Educação que diz querer melhorar a qualidade do ensino aumentando alunos por turma, reduzindo professores, gastando menos nas escolas públicas (e mais nas escolas privadas) e desprezando todos os aspectos pedagógicos. Os filhos dos mais pobres e da classe média são uns malandrecos e a única preocupação do ministro em relação ao ensino público centra-se na avaliação, era o que faltava que andassem na escola pública e no fim ainda ficassem com boas notas.
  
Esta opção do governo é claramente classista, visa manipular a sociedade favorecendo algumas classes e empobrecendo cultural e academicamente outras. Compreende-se a opção, o governo que desinvestiu na modernidade, que apenas concebe a competitividade aumentando a escravidão da mão de obra aposte em pobres pouco qualificados, são esses os necessários às industrias pouco desenvolvidas em que o governo aposta.
  
PS: Importa recordar que as escolas privadas participaram activamente nos processos eleitorais ao lado das candidatura da direita pelo que as generosas ajudas a essas escolas podem ser entendidas como um processo corrupto de favorecimento. O governo paga os favores que a direita recebeu nas eleições.

Publicado no blogue O JUMENTO

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