domingo, 11 de outubro de 2015

Felizmente há política

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"O Partido Socialista foi o centro do debate político durante o período da pré-campanha, durante a campanha eleitoral e continua a sê-lo depois da derrota eleitoral de passado domingo. Foi, em parte, por terem sido debatidas apenas as propostas dos socialistas que estes perderam as eleições e pode ser que pelo facto dessas eleições os ter deixado no centro do espaço político os leve a governar.
No entanto, foi o Partido Comunista que provocou um terramoto no quadro político-partidário.
Convém começar pelo princípio. Antes de quarta-feira, era impensável pensar-se noutra solução que não fosse a Coligação PAF formar governo com um apoio mais ou menos explícito do PS no Parlamento. Continua a ser, aliás, a solução mais provável, a mais lógica e a mais legítima. Foi o projeto do PAF que obteve aprovação maioritária. Apesar de ser também claro que a maioria dos eleitores rejeitou esse projeto, não é com rejeição mas sim com ação que se governa. Mais, ter partidos que não ganharam as eleições a governar é constitucionalmente viável, mas levanta um problema de legitimidade política em sentido amplo. O primeiro é termos projetos políticos a governar não sufragados por uma maioria. Apesar de não nos podemos esquecer que uma coligação pós eleitoral também estabelece bases de governação não aprovadas. A diferença, que faz toda a diferença, é que quem liderava essas coligações era o partido mais votado.
Além disso, apesar do PSD ter praticamente abandonado a social-democracia - e pode ter sido essa inflexão a explicar muito do que se está a passar -, há muitíssimas mais coisas a unir o PAF ao PS do que pontos de contacto entre os socialistas e os bloquistas e comunistas.
Sendo tudo isto verdade, convém lembrar que vivemos num sistema político que tem, sobretudo se o cenário for de minorias relativas, o Parlamento como centro da vida política. Nós elegemos deputados e os seus partidos, e eles, nas palavras do Presidente da República, que se entendam.
Ora, havia uma barreira, uma espécie de condição adquirida: considerando qualquer outro partido um entrave à prossecução de "políticas de esquerda", nem valia a pena pensar no PCP para viabilizar governos.
Declarando de forma cabal que não se oporá a um governo do PS, o PCP não só alterou pela primeira vez a sua postura de sempre, como colocou o BE entre a espada e a parede: ou os bloquistas deixam o PS governar ou aparecem como o partido que deu o país ao PAF.
O PCP não esqueceu a máxima de Álvaro Cunhal: a máxima flexibilidade tática e a maior rigidez estratégica. Para manter a parte do seu poder na sociedade portuguesa não se pode dar ao luxo de deixar que o BE cresça, que mais privatizações façam a sua importância através da CGTP perigar ou perder as autarquias que governa. E se para isso for preciso dar o poder ao seu maior inimigo político, fá-lo-á.
E quando já tínhamos arrumado o PCP no dossier "assuntos que o tempo resolverá", eis que ele aparece e com um papel central.
2 Há um evidente incómodo na Coligação com a muita longínqua hipótese dum governo do PS com o apoio parlamentar do BE e PCP.
Ganhar eleições e não ser governo é algo que em Portugal nunca se viu, muito menos ser um partido que perdeu estrondosamente a governar.
Mas o grande problema para o PAF é que essa hipótese não só poderá ressuscitar um PS que ficará moribundo na oposição, restando-lhe esperar que daqui a meia dúzia de meses o Parlamento seja dissolvido, o que dará uma maioria absoluta à Coligação; como pode fazer com que o PS tenha hipóteses numas eleições antecipadas que, quase de certeza, existirão.
Uma coisa é certa, qualquer das hipóteses de governação, Coligação com apoio do PS para o primeiro orçamento ou PS no governo com o apoio no Parlamento do BE e PC é duma enorme fragilidade e não permitirá que a legislatura chegue ao fim.
Ora, tentar mostrar que um governo com o apoio do PC e do BE nos pode levar de novo ao Gonçalvismo pode ter resultados contraproducentes para a Coligação. Basta que isso não aconteça, ou seja, que não só os eleitores do centro como a ala direita do PS não sintam grandes alterações no funcionamento das instituições, para que o jogo entre o PS e a Coligação fique muito mais equilibrado. Veremos, aliás, o que se passará no PS entretanto.
Digamos que umas eleições em que o centro não tenha medo do PS, tendo este tido o apoio do BE e do PCP, e que o eleitorado que agora votou no BE veja que o PS não teve medo de ser apoiado pela tal esquerda serão mais desafiantes para a Coligação.
Quem é Governo tem sempre vantagem. Conduz o processo político, e num cenário de alianças débeis, ter o relógio político na mão pode ser decisivo. No fundo, ter a capacidade de decidir qual o melhor momento para disputar eleições. E as próximas podem redefinir todo o cenário político-partidário. Um com o PS muito débil, seja por os eleitores tradicionais dos socialistas não terem gostado da aproximação ao BE e PC, seja por ter suportado a Coligação. Ou um PS mais forte, se tiver construído uma alternativa à Coligação, indo para o governo ou não, e, pelo caminho, enfraquecido a sua esquerda.
Saberemos mais tarde o que será, mas algo de profundo na nossa política mudará."
(Pedro Marques Lopes - Diário de Notícias)

sábado, 10 de outubro de 2015

Nos outros blogs

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 A direita a fazer xixi pelas calças abaixo

A mesma direita que tudo fez para que os eleitores votassem no BE ou no PCP foi surpreendida e agora percebe que está em minoria no parlamento e já oferece tudo e mais alguma coisa antes que o PS se entenda com o Bloco. O enrascanço e tanto que não é difícil adivinhar o Passos a dizer a Cavaco ao telefone. "Ó tio, receba lá o Costa e faça tudo para que ele aceite um acordo connosco, senão lá se vai a manjedoura para os seus e para os meus amigos!"!
  
A direita direita contava com o ovo no cu da galinha e o seu verdadeiro líder, Cavaco Silva ensaiou uma manobra manhosa para forçar o PS a apoiar as alarvidades do se governo. Enganaram-se, a posição do CP trocou-lhes as voltas e quando Cavaco esperava uma "solução de governo" à direita arrisca-se a ser confrontado com uma solução alternativa e ter de engolir os disparates que disse na comunicação oficial que fez.

Cavaco deu um pontapé na Constituição excluindo o PCP e o Bloco da democracia e agora reza para que o Bloco não apoie uma solução com que não contava.

In "O Jumento"

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

BRUMAS AZULES EN EL CIELO DE PLUTÓN

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Brumas azules en el cielo de Plutón

BRUMAS AZULES EN EL CIELO DE PLUTÓN

Las primeras imágenes en color de la atmósfera de Plutón, remitidas ahora por la sonda New Horizons de la NASA, de su sobrevuelo del 14 de julio, revelan que las brumas de su cielo son azules. (EUROPA PRESS / NASA)-(20minutos.es)


Os votos não valem o mesmo?

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Portugal não é a Grécia. Todos de acordo. Mas talvez tenhamos alguma coisa a aprender sobre a forma e a rapidez com que os gregos escolhem o seu primeiro-ministro.
"O líder do maior partido é convidado a formar Governo. Se garantir, em três dias, que a sua proposta terá o aval do Parlamento - quer porque já tenha uma maioria de deputados do seu partido (ou coligação de partidos) quer porque garanta o apoio que lhe falta entre algum dos outros -, é imediatamente empossado. Se o partido mais votado não for capaz de o fazer, a tarefa passa para o segundo, e depois para o terceiro. Sendo que cada um negoceia com quem quer. Se o problema não se resolver, marcam-se novas eleições.
E assim se cumprem os requisitos de uma democracia evoluída. Dá-se prioridade ao vencedor das eleições, mas não se excluem os restantes. Por uma razão singela. Quando os gregos votam, tal como acontece com os portugueses, estão a escolher quem os representa no Parlamento. Sendo que um voto no partido vencedor não vale nem menos nem mais do que um voto nos perdedores. Vale o mesmo. E de qualquer deles pode sair o futuro primeiro-ministro.
E é precisamente aqui que Portugal diverge - e mal - da prática política grega. Dá-se por adquirido que é o partido (ou coligação) mais votado o único com direito a liderar um Governo. E que os restantes não devem fazer mais do que submeter-se a esse princípio - tudo para o vencedor, nada para os vencidos. Um princípio, diga--se, que não está inscrito na Constituição. O problema, note-se, não está tanto no resultado - todos interiorizaram, no domingo passado, que Passos Coelho conquistara a primazia de tentar formar um Governo -, antes no processo.
Como se já não bastasse o coro habitual e afinado de comentadores, senadores e estadistas, Cavaco Silva resolveu rapidamente presidir ao jogo de encostar o PS e António Costa à parede. Não há alternativa (onde é que já ouvimos isto?). Tem de associar-se ao Governo dos dois partidos de Direita, viabilizar o seu programa, assegurar os orçamentos, apoiar a reforma da Segurança Social. E aguentar quatro anos. O que possam pensar os dirigentes ou militantes socialistas sobre esse suicídio político não interessa. E ainda menos os seus 1,7 milhões de eleitores. Entregaram o voto, isto agora é com os iluminados da República. Tudo aos vencedores, nada aos vencidos. Mesmo que os vencedores tenham perdido 800 mil votos e representem menos de 40% dos eleitores. Mesmo que os vencidos somem 2,7 milhões de votos e representem mais de 50% dos eleitores. Bem, é verdade que alguns não são bem eleitores, antes uma turba de revolucionários marxistas, leninistas e trotskistas prontos para trocarem a NATO pelo Pacto de Varsóvia. Isso e o facto conhecido de comerem criancinhas ao pequeno-almoço."                                          (Rafael Barbosa - Jornal de Notícias)






Função Pública: 35 horas aprovadas nas câmaras

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Tribunal Constitucional dá luz verde a medida.

"Uma em cada quatro autarquias já assinou um contrato com os trabalhadores que permite reduzir o horário de trabalho das 40 para as 35 horas semanais. A aplicação da medida estava vedada pelo Governo, mas o Tribunal Constitucional (TC) decidiu que tal constitui uma interferência na autonomia do poder local. As câmaras vão passar a estar livres de aplicar as 35 horas sem autorização do Executivo. 

O acórdão do TC declara "a inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, das normas que conferem aos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da administração pública legitimidade para celebrar e assinar acordos coletivos de empregador público, no âmbito da administração autárquica (...), por violação do princípio da autonomia local". 

Lisboa, Funchal, Serpa, Ovar, Matosinhos, Sintra, Odivelas e Cascais, entre outras, já aplicavam as 35 horas, mas agora há pelo menos 77 autarquias que vão reduzir o horário de trabalho assim que o acórdão for publicado. José Abraão, do Sintap, acredita que a decisão vai permitir que se voltem a aplicar as 35 horas em toda a Função Pública. O sindicato tem 400 acordos com juntas, autarquias e serviços municipalizados onde quer ver aplicados as 35 horas semanais. 

O gabinete de Maria Luís Albuquerque já deixou a garantia, por escrito: "Respeitamos a decisão do Constitucional e cumpriremos com a mesma." (Correio da Manhã)

Notas do Papa Açordas: Mais uma derrota deste governo!...


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Lista mensal de Aposentados e Reformados das CGA referente ao mês de NOVEMBRO/2015

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» Lista mensal de Aposentados e Reformados:



Aviso n.º 11549/2015, Diário da República n.º 197/2015, 2.ª Série, de 2015-10-08. Declaração n.º 204/2015, Diário da República n.º 197/2015, 2.ª Série, de 2015-10-08. Declaração de Retificação n.º 895/2015, Diário da República n.º 197/2015, 2.ª Série, de 2015-10-08. Declaração de Retificação n.º 896/2015, Diário da República n.º 197/2015, 2.ª Série, de 2015-10-08.

LA PICADURA MORTAL DE LA AVISPA DE MAR

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La picadura mortal de la avispa de mar

LA PICADURA MORTAL DE LA AVISPA DE MAR

Un ejemplar de avispa de mar ha picado a un turista alemán en la playa Lamai (Tailandia). Aunque fue trasladado inmediatamente a un hospital, los médicos no pudieron hacer nada por salvar su vida. La picadura de este cubozoo es mortal. (Nic Bothma / EFE)-(20minutos.es)




Aníbal, Pedro, Paulo, António, Jerónimo que...

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"Em bom, é assim: "João amava Teresa que amava Raimundo/ Que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili/ que não amava ninguém. /João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,/ Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,/ Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes/ que não tinha entrado na história." Em bom, é assim, célebre poema assinado por Carlos Drummond de Andrade. Ao poema, ele chamou Quadrilha. Não, não é isso que estão a pensar, mas no sentido da tradicional contradança. Por isso me permito uma versão portuguesa, citando políticos, para aqui trazidos por nos darem música. Sai cantiga de escárnio e maldizer: Aníbal apadrinhava Pedro que casara com Paulo que desdenhava Pedro que piscava o olho a António que se encontrava com Jerónimo que se queria vingar de Catarina que também instigava António que não sabia o que fazer. Aníbal foi para o Algarve reformado, Pedro e Paulo continuaram casados, sonhando com umas terceiras núpcias, grandes como as primeiras, melhores do que as segundas, António hesitou na passagem de nível, olhou para a esquerda, olhou para a direita, foi talvez atropelado, apanhou talvez o comboio do poder, Jerónimo progrediu para 18 deputados, talvez até 19, e mesmo 12 era bom logo que fossem mais do que Catarina que invejou André Lourenço e Silva, que tinha um cão chamado Nilo e não entrou na história porque é deputado do PAN e só se interessa por periquitos."

(Ferreira Fernandes - Diário de Notícias)

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

AL OTRO LADO DEL MURO

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Al otro lado del muro

AL OTRO LADO DEL MURO

Un niño de bajos recursos económicos del barrio de Vista Hermosa de San Juan de Miraflores, en Lima (Perú), juega junto al muro que separa el lugar desde hace cuatro años del opulento barrio de Las Casuarinas, un espejo de la desigualdad en el reparto de la riqueza que domina en Latinoamérica. (Ernesto Arias / EFE)-(20minutos.es)




PCP viabiliza um governo socialista

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Jerónimo de Sousa disse esta quarta-feira que viabilizará um governo de esquerda liderado pelo PS.

O secretário-geral do Partido Comunista esteve esta tarde reunido com o líder socialista e, na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro, Jerónimo de Sousa assumiu a disponibilidade para viabilizar um governo liderado pelo PS.
Segundo o líder PCP, trata-se de "impedir que se repita" o novo governo PSD/CDS.
Jerónimo de Sousa disse que PS e PCP convergiram na avaliação de que os resultados das eleições traduziram a vontade da maioria do povo português em não querer "este governo e esta política".
"Rejeitaremos qualquer moção de censura vinda" do PSD ou do CDS contra um governo liderado pelo PS, assegurou o secretário-geral comunista.
"Conhecendo o programa do PS, admitimos discutir as questões do programa do Governo" liderado pelos socialistas, apesar do que consta dos respetivos programas partidários, frisou Jerónimo de Sousa.
"Mesmo num quadro em que o PS insista no seu programa e que não seja fácil encontrar uma convergência sobre um programa de governo, nem assim se pode concluir que a solução seja um governo do PSD/CDS", enfatizou o líder do PCP, acompanhado pelo líder parlamentar, João Oliveira, e pelos dirigentes Francisco Lopes e Jorge Cordeiro.
"Mesmo nessas circunstâncias continua a haver margem para soluções governativas que não permitam que PSD e CDS, contra a vontade popular, prossigam a sua ação política", pelo que o PCP "contribuirá para derrotar qualquer iniciativa que vise impedir a formação de uma outra solução governativa", afirmou Jerónimo de Sousa.
Assim, "o PS terá de escolher entre associar-se à viabilização e apoio a um governo PSD/CDS ou tomar a iniciativa de formar um governo que tem garantidas condições para a sua formação e entrada em funções", frisou o secretário-geral do PCP. (Diário de Notícias)
Notas do Papa Açordas: A prioridade é de impedir a criação de um novo governo de direita!... Já chega de austeridade!...

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

TRABAJADORES DE AIR FRANCE TRATAN DE RETENER Y DESCAMISAN A LOS EJECUTIVOS DE LA COMPAÑIA

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Trabajadores de Air France tratan de retener y descamisan a los ejecutivos de la compañia

TRABAJADORES DE AIR FRANCE TRATAN DE RETENER Y DESCAMISAN A LOS EJECUTIVOS DE LA COMPAÑIA

Decenas de trabajadores de la aerolínea francesa Air France penetraron este lunes en la sede del grupo y agredieron a miembros de la dirección en el momento en el que desgranaban su plan de ajuste, que incluye el despido de 2.900 empleados, los primeros de la historia de la compañía. En la foto, dos directivos con los trajes y la camisa rota tras el encontronazo con los trabajadores. (GTRES)-(20minutos.es)


Ferro Rodrigues crê que PS deve aguardar propostas do novo Governo

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O líder da banca parlamentar do PS, Eduardo Ferro Rodrigues, defendeu hoje que o partido deve aguardar as propostas do novo Governo para decidir se há possibilidade de entendimentos e classificou a atual situação de inédita.

Aos jornalistas, o socialista disse que esta é "uma situação que a Assembleia da República nunca viveu".
"Mesmo quando houve maioria relativa, no tempo do engenheiro Guterres, a situação era diferente, visto que era uma maioria do PS que era central e tinha à direita e à esquerda partidos de oposição", afirmou.
"Hoje a situação é diferente, visto que todo o Governo está de um lado e toda a oposição está de outro. Vamos ver quais são as propostas" daqueles que "forem indigitados para formar governo".
Ferro Rodrigues falava no final da cerimónia solene do 105.º aniversário da implantação da República, no salão nobre dos Paços do Concelho, em Lisboa.
A coligação formada por PSD e CDS-PP venceu com 38,55% dos votos (o que representa 104 deputados), tendo perdido a maioria absoluta, e o PS foi o segundo partido mais votado, com 32,38% (85 deputados), estando ainda por atribuir quatro assentos na futura Assembleia da República, referentes aos círculos da emigração.(Notícias ao Minuto)

domingo, 4 de outubro de 2015

Um Presidente que já não é o da República

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"1-Se não vivêssemos numa República não teríamos um Presidente da República. Teríamos um primeiro-ministro ou um presidente do Conselho de Ministros, ministérios, juízes, polícias, câmaras municipais, mas não um Presidente da República. Poderíamos ter um Parlamento com representantes eleitos pelo povo, mas não lhe chamaríamos Assembleia da República e também não haveria um Presidente da República. Existiria uma Constituição, mas não se chamaria Constituição da República Portuguesa e, de certeza absoluta, logo no seu primeiro artigo não se declararia que Portugal era uma República. Também não existiria um outro que esclarecesse que essa República era representada pelo Presidente da República e que seria ele o garante da independência nacional, unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições.
É verdade, a nossa forma de governo é a República e a data da sua instauração é lembrada no artigo 11.º da Constituição: 5 de outubro de 1910. O legislador constitucional não terá tido a preocupação de escrever a data porque lhe deu na gana. Está no texto porque é um dia importante, porque é uma data fundadora, porque nos lembra o que somos e em que acreditamos.
A preservação da memória é uma tarefa fundamental da comunidade e está, sobretudo, a cargo de quem nos representa. Nós somos o que for a nossa memória; os países, as sociedades, não são diferentes. Pelo contrário, mais do que as pessoas, estas precisam de momentos, de monumentos, de comemorações, de símbolos. Sem eles corremos o risco de nos desintegrarmos. São em larga medida os feitos coletivos, as alturas em que tivemos causas que nos uniram, as nossas derrotas, as nossas mudanças como povo que nos definem, que fazem de nós o que somos.
Não indo às comemorações do 5 de Outubro, Cavaco Silva esqueceu tudo isso ou, se calhar, nunca o soube. Esqueceu que o Presidente da República tem de exercer todas as tarefas constitucionalmente definidas, mas que, muito provavelmente, a sua mais importante ação como representante, como provedor do povo, é cuidar da nossa memória coletiva. Ele mais do que ninguém. Não só não deve deixar que se apague, mas deve ter uma atitude pedagógica, uma intervenção ativa que nos recorde da importância da nossa história e do que isso representa no objetivo de criar laços na comunidade, de coisas que nos unam. Não chegava ter assistido impávido e sereno ao fim de feriados importantes para a comunidade - um deles o próprio 5 de Outubro - em razão dum conceito de produtividade arrevesado, como se o nosso imaginário comum, a necessidade de celebrar a nossa história, pudesse ser trocada por o que quer que seja, Cavaco Silva resolve não ter tempo para aquilo que, pelos vistos, considera a minudência de estar presente nas celebrações do 5 de Outubro.
Estará assoberbado a refletir sobre o significado das nossas decisões de hoje.
As eleições de hoje são importantes. Todas as eleições são importantes, nem mais nem menos do que quaisquer outras desde que a nossa democracia estabilizou, já lá vão 40 anos. O momento em que o povo fala, em que decide, é sempre importante. Mas, sejam quais forem os resultados, nada de decisivo para a nossa comunidade, nada de estruturante estará em jogo. A democracia não estará ameaçada, a nossa Constituição não estará em risco, as nossas instituições continuarão a funcionar normalmente, os tribunais abrirão, nada de fundamental se alterará na vida dos portugueses. Também disto Cavaco Silva se esqueceu.
Parece que falta tempo a Cavaco. Não lhe falta tempo para tudo e mais alguma coisa, mas para pensar sequer na importância da data da implantação da República, para ler um pequeno discurso, para nos representar num dos mais importantes dias da nossa história é que é mais complicado.
Consta, também, que tem receio de que o seu discurso seja mal interpretado. Provavelmente, pensa que nós somos todos estúpidos - conheço um que se sente particularmente estúpido por o ter achado capaz de representar o povo e ser um bom Presidente da República - e que poderíamos não perceber um seu eventual discurso sobre princípios republicanos. Um em que ele falasse sobre a necessidade de os termos sempre presentes. Sobre liberdade, sobre interesse público, sobre sermos todos iguais perante a lei, sobre o nascimento não poder trazer direitos especiais. Talvez o facto de Cavaco poder pensar que nós podemos confundir valores republicanos com a política do dia-a-dia, que podemos não discernir entre decisões conjunturais e princípios fundamentais, diga mais sobre ele do que sobre nós.
Amanhã teremos uma nova composição da Assembleia da República. A questão é: e Presidente da República, temos?
2-Abaixo os privilégios herdados, vivam os direitos conquistados. Viva o 5 de Outubro. Viva a República."
(Pedro Marques Lopes - Diário de Notícias)

ALEGRÍA POR PISAR EUROPA

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Alegría por pisar Europa

ALEGRÍA POR PISAR EUROPA

Una refugiada afgana da gracias por lograr alcanzar la costa a bordo de una lancha neumática, cerca de Skala Sikaminias, en la isla de Lesbos (Grecia). (Filip Singer / EFE)-(20minutos.es)


ALEGRÍA POR EL OBJETIVO CUMPLIDO

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Alegría por el objetivo cumplido

ALEGRÍA POR EL OBJETIVO CUMPLIDO

Un migrante sirio celebra, sobre una montaña de chalecos salvavidas en una playa, haber alcanzado la costa tras una dura travesía en lancha neumática hasta la isla de Lesbos (Grecia) (Filip Singer / EFE)-(20minutos.es)


Nos outros blogs

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 Jumento do dia
    
Ministro Lambretas

Nem no dia de reflexão conseguimos estar descansados com as manifestações de incompetência vindas deste governo, agora são os desempregados a receberem notificações para reembolsarem montantes recebidos a mais. Registe-se o rigor da Segurança Social, rigor de que se esqueceu no caso da dívida de Passos Coelho.

«Desempregados de diferentes zonas do país estão a ser notificados para devolver quantias do subsídio de desemprego devido à expedição incorreta de notificações geradas por um desfasamento no sistema que estão a ser reanalisadas.

A informação foi avançada à Lusa por fonte da Segurança Social a partir do caso de um desempregado de Alfândega da Fé, no distrito de Bragança, que, um mês depois de esgotado o subsídio de desemprego foi notificado para devolver metade, mais de 2.600 mil euros.

A fonte da Segurança Social garantiu à Lusa que todas as notificações “estão a ser reanalisadas” e que “o beneficiário em questão, bem como outros nas mesmas condições vão receber outra notificação dando conta se esse cálculo está correto ou não”.» [Observador]

In "O Jumento"

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

DIEZ MUERTOS EN UN TIROTEO EN EE UU

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Diez muertos en un tiroteo en EE UU

DIEZ MUERTOS EN UN TIROTEO EN EE UU

Una estudiante de primer año (c) habla con reporteros tras un tiroteo en el centro de estudios superiores Umpqua Community College, de Roseburg, en el estado de Oregón (EE UU). El hecho dejó 10 muertos y 7 heridos, en un suceso en el que el sospechoso, un joven de 20 años, murió tras enfrentarse con la Policía. (Gary Breedlove / EFE)-(20minutos.es)


BODA EN GAZA

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Boda en Gaza

BODA EN GAZA

Un novio palestino Mohammed Yousef Al-Masri (i) posa con su pareja Zekriat Hamza Al-Masri, junto a su tienda en su boda en Beit Hanun al norte de la franja de Gaza. (Mohammed Saber / EFE)-(20minutos.es)


Portugal pede mais

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"Toda a gente se lembra - ou ninguém? - de quando o banqueiro Fernando Ulrich, em 2012, comparou os portugueses a sem--abrigo: se os sem-abrigo aguentavam e não morriam, também nós aguentaríamos mais e mais austeridade. D"après Passos que, meses antes, chamara piegas a quem se insurgia contra a dureza das suas medidas.
Ulrich tinha razão. Se ainda estamos vivos, não morremos. Deve querer dizer que aguentámos, ou seja, que afinal não foi assim tão mau, portanto que estávamos mesmo armados em piegas. Vai mais uma dose, pois - é isso que as sondagens dizem. Partindo, claro, do princípio de que estão certas. E que a maioria de nós sabe perfeitamente - as pessoas não são parvas - o que quer dizer a milagrosa conversão de Passos em arrependido mãos-largas que quer "dar tudo a toda a gente"; um Passos tão outro que, tendo em 2011, na biografia Um homem Invulgar, garantido ter-lhe o livro Porque não Sou Cristão, do ateu Bertrand Russel, "declinado bastante a relação com o transcendente", saca à boca das urnas crucifixos do bolso para a TV.
Como o seu padrinho político e empresarial Ângelo Correia, na SIC--N, reagindo em prodígio de sarcasmo à revelação - "Ele usou o crucifixo hoje? Bom sinal. Nunca é tarde para alguém se converter. É uma coisa que aguardo há tempo para mim mas ainda não consegui. Não consegui aproveitar a campanha eleitoral para isso" - ninguém acredita neste Passos bonzinho, piedoso, que repete as tretas da campanha de há quatro anos sobre nunca jamais em tempo algum cortar pensões ou aumentar impostos porque "já chega".
Não, não nos chega. Queremos mais do verdadeiro Passos. Queremos "reduzir ainda mais os custos do trabalho", coisa que ele lamentou não ter feito suficientemente no primeiro mandato, ou seja, queremos, a maioria de nós que vive de um salário, ganhar menos (ainda) e custar menos (ainda) a despedir. Queremos menos apoios sociais para os pobres e todos entregues às caridades; pagar mais pela saúde; ter educação pública de pior qualidade enquanto desviamos os recursos para a privada; queremos cortes à séria nas pensões (maldito Tribunal Constitucional que travou os definitivos em 2014, há de ceder por fim); queremos menos dinheiro para a ciência; queremos vender ou concessionar a privados tudo o que é do Estado, com prejuízo ou o que for, porque a gestão privada, como está mais que demonstrado, do Lehman Brothers ao BPN e do BES à Volkswagen, é que garante bondade e eficiência. E queremos mais e mais emigração - aliás, por que raio proibiu o governo a divulgação dos números de 2014 antes das eleições? Será que acham que os prejudica nas urnas?
Não. Não deviam ter medo de assumir a obra e ao que vêm, esconder a cara nos cartazes e a sigla PSD-CDS na PAF. Não sejam piegas, que nós não somos. A crer nas sondagens, queremos tudo e mais alguma coisa que Passos queira (como não tem programa eleitoral, vai-nos fazer a surpresa). Portugal pode - aguentar e pedir - mais."
(Fernanda Câncio - Diário de Notícias)

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 Jumento do dia
    
José Cesário, secretário de Estado do Paf! aos jovens

Nem no tempo de Salazar se assistiu a tanta mentira e manipulação de dados, isto é gente sem escrúpulos e sem nível para governar um país.

«Os portugueses continuam a deixar o país e em grande número, 110 mil em 2014, tantos como em 2013. Dados do Observatório da Emigração (OE) e que foram entregues à secretaria de Estado das Comunidades em julho, já que, habitualmente, o relatório é apresentado na Assembleia da República antes das férias. O governo justifica o atraso com a falta de informação, nomeadamente do Observatório, ao qual pediram um quadro da evolução da emigração portuguesa comparada com outros países. Mas o coordenador nega o pedido de elementos adicionais.

"Ainda estamos à espera de dados, nomeadamente um quadro comparativo da emigração dos portugueses e dos restantes europeus. E há outros dados que falta reunir, também da Direção-Geral dos Assuntos Consulares. O Relatório da Emigração é muito vasto e não o podemos divulgar só com um quatro ou dois", justifica o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, para não ter publicado o relatório em julho, como aconteceu o ano passado. Em viagem pelo Canadá, acrescenta que o documento será apresentado quando regressar a Portugal, depois das eleições legislativas.» [DN]

In "O Jumento"