quarta-feira, 31 de outubro de 2007

MILITARES EM "PASSEIO"

Revisão das carreiras e cortes na assistência
na saúde levam militares de novo para as ruas

A Comissão de militares responsável pelo "passeio do descontentamento",
em 2006, vai organizar um encontro a 22 de Novembro, na Baixa de Lisboa,
para protestar contra a revisão das carreiras e os cortes à assistência na
saúde, segundo informa o jornal Público de hoje.

"É uma iniciativa idêntica (à de 2006) e no mesmo local, em Lisboa", afirmou
à agência Lusa Fernando Torres, comandante da Marinha na reforma, um dos
rostos do protesto do ano passado e porta-voz da Comissão de Militares
(Comil). O Governo já afirmou que estranha o protesto.

A iniciativa, designada por Encontro pela Justiça e pela Lei, será "uma forma
de protesto" contra as medidas do Governo previstas no Orçamento de Estado
de 2006, com os cortes de 21,6 por cento nas despesas da saúde e de 17,4 por
cento com os militares na reserva, segundo um comunicado da Comil.

A comissão organizadora do protesto contesta ainda "a ameaça da revisão do
estatuto das carreiras". relativamente aos militares. (Público).

Nota do Papa Açordas: É isto o que toda a gente deve fazer: manifestar-se.
Toda a minha solidariedade para com os militares. Força!

Agora, já deve ser tarde!...

Seguro lança aviso aos partidos

O deputado socialista António José Seguro alertou ontem que se os partidos
não se reformarem, correm o risco de se transformar em "exércitos eleitorais,
dispensáveis durante os períodos de governação". O alerta do deputado foi
feito na apresentação do livro O Regresso dos Partidos, da autoria de Alcídio
Torres e Maria Amélia Antunes, que decorreu na Fundação Mário Soares.

"O que necessitamos é do regresso da política com P grande. aos partidos e às
instituições (...). O regresso dos partidos é o regresso das pessoas aos partidos",
defendeu. No final da sessão, Seguro recusou dirigir estas recomendações
exclusivamente ao partido em que milita. "É uma mensagem para todos os
partidos e também para o PS", precisou. (Público)

Nota do Papa Açordas: É a realidade. Hoje em dia é o que acontece nos
partidos, em especial, no PS. Sócrates foi eleito, o partido em peso votou nele,
mas em 2009 duvido muito que esse movimento em torno do secretário-geral
volte a acontecer. Por mim, posso não saber em quem votar, mas tenho a
certeza em quem não vou votar...

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Os "cubanos" que paguem!...

Madeira tem o mesmo orçamento com menos 21 deputados

Segundo informa o jornal o Público, o orçamento da Assembleia Legislativa
da Madeira (ALM) para 2008 atinge osn 17,2 milhões de euros, práticamente
o mesmo do ano corrente, apesar de ter perdido quase um terço dos seus
deputados.

As despesas previstas na proposta de orçamento, submetida na passada
quinta-feira à apreciação do conselho consultivo mas ainda não aprovado
pelo plenário, sofrem um decréscimo de 416 mil euros. Ao passar de 68 para
47 deputados, o parlamento deveria poupar quase três milhões de euros, sendo
dois nas subvenções atribuídas aos grupos parlamentares em função do número
de deputados e um milhão a menos nos vencimentos dos parlamentares.

O Orçamento da Assembleia Legislativa dos Açores, já aprovado, tem o valor
global de 10,453 milhões, correspondente a 60 por cento do da Madeira, apesar
de ter mais cinco deputados (52) dispersos por nove ilhas. Ao apoio aos grupos
parlamentares açorianos destina 830 mil euros, quase um oitavo do despendido
na região governada por Jardim.

Para Jardim não há dificuldades nem restrições orçamentais, pois os "cubanos"
que paguem a crise...

Governo fomenta o analfabetismo!

Faltar é o que está a dar

Não me parece que a questão do tratamento das faltas no novo estatuto do aluno mereça tanta agitação por parte de líderes partidários, mas não deixa de ser uma questão a merecer reflexão. Não estou na posse de todos os dados, apenas avalio a medida pela mensagem que representa, aliás, a mesma mensagem que chega a alunos e a encarregados de educação. E a mensagem é a de bandalhice.

O sistema de ensino encontrou a solução para resolver um problema insolúvel na lógica do ensino obrigatório, o que fazer de um aluno que falta e reprova? Claro, encontra-se um esquema para que passe, para que chegue possa concluir com êxito o ensino obrigatório e as escolas poderem livrar-se dele. Mais tarde ou mais cedo alguém vai descobrir que os professores são os culpados pelas faltas dos alunos, se eles faltam é porque o professor não é capaz de os motivar. O que não é novidade, não falta por aí quem diga que se os alunos chumbam é porque os professores não sabem ensinar.

Num país em queda permanente dos níveis de produtividade a mensagem que se dá às futuras gerações é que a bandalhice não é inimiga do sucesso. Só não consigo adivinhar quem vai conseguir convencer estes jovens que os horários são para cumprir quando chegarem à idade adulta e arranjarem um emprego, se tiverem essa sorte.

Nas mesmas turmas teremos dois tipos de alunos, os que não faltam e estudam e os que podem faltar, porque os pais o permitem e o Estado admite. Vamos ter os que seguem a educação dada pelos familiares e os que beneficiam da má educação promovida pelo Estado.

Chego a interrogar-me se alguns dos responsáveis pelo Ensino conhecem mesmo as nossas escolas, duvido.

In O JUMENTO, 30-10-07

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Para meditar

Poesia para os distraídos

No primeiro diploma,
Congelam as progressões,
Acabam os escalões,
E não dizemos nada.

No segundo diploma,
Aumentam o tempo das reformas,
Mexem com todas as normas,
E não dizemos nada.

No terceiro diploma,
Alteram o sistema de saúde,
Há um controlo amiúde,
E não dizemos nada.

No quarto diploma,
Criam-se informações,
Geram-se várias divisões,
E não dizemos nada.

No quinto diploma,
Passa a haver segredo,
As pessoas vivem com medo,
E não dizemos nada.

Até que um dia,
O emprego já não é nosso,
Tiram-nos a carne fica o osso,
E já não podemos dizer nada.

Porque a luta não foi travada,
A revolta foi dominada,
E a garganta está amordaçada.


(autor desconhecido)

OS BOYS E A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


Estudos à medida do freguês


Num estudo encomendado pelo governo à Universidade Católica e
chefiado pelo sr.Roberto Carneiro, ex-ministro da educação, chegaram
à conclusão de que a Administração Pública (AP) funciona mal e pior que
a privada. Até aqui tudo bem, mas não devia ser um privado a dizer
que trabalha melhor que um público, mas sim, uma entidade fora desse
contexto, como uma fundação, por exemplo.

No meu entender, se a AP funciona mal, a culpa é mais dos dirigentes
que dos funcionários, devido à sua partidarização.

Ainda há pouco tempo, funcionários de um organismo público do Algarve,
ligado aos nabos e porco manso preto, me chamavam a atenção para
a partidarização dos dirigentes daquele organismo. Pois, para além de
serem fracos, são todos do partido do poder ou andam lá muito perto.
Resultado, é um organismo que não pode funcionar, práticamente parado
e a dar uma péssima imagem da Administração Pública, mas por outro
lado, um prato suculento para os boys.

O Sr.Jaime Silva parece que anda muito distraído.

Mas, não é só no "Allgarve", isto acontece em todo o País, de Norte a Sul...

domingo, 28 de outubro de 2007

ESTADO POLICIAL

O Corporativismo atacou!

Como é possível um polícia ser absolvido por um Tribunal Civil, e ao mesmo
tempo ser condenado pela corporação PSP, com pena de expulsão?

É verdade, aconteceu em pleno século XXI !

Francisco Cardoso, 38 de serviço efectivo, cadasto limpo, avaliação de "Bom",
2 medalhas por comportamento exemplar, foi confrontado a 3 de Setembro
deste ano recebeu a sentença final da corporação: expulsão.

Saliente-se que por este "crime", desentendimento com um subcomissário,
já tinha sido absolvido pelo juiz da 2ª secção do 6º juízo do Palácio da Justiça,
três meses antes.

O caso está agora a ser analisado no Tribunal Administrativo de Sintra, onde
Francisco Cardoso entregou recentemente uma providência cautelar, de modo
a travar a decisão da Direcção Nacional da Polícia de Segurança Pública,
segundo informa o jornal Público.

O 25 de Abril ainda não deve ter chegado à PSP!...

A mentira oficializada...

Da mentira como virtude política

«A democracia vive hoje da mentira. Sob todas as suas formas: ocultação, contradição, correcção, circunstância superveniente ou melhor ponderação. Há os que sabem tudo e hoje dirão: "Os políticos sempre mentiram." Pode por isso parecer ingénuo ficar surpreendido com o modo como a mentira se instalou na vida política. Mas a verdade é que o hábito vem ganhando contornos inéditos. Quase todos a usam. Quase todos a perdoam. A mentira é corrente. Ganhou novas feições. É por vezes obrigatória. Recomendável, de qualquer maneira. Até sinal de esperteza. Nas relações humanas e familiares, a mentira é castigada. Nos empregos, condenada. Na justiça, apesar de o perjúrio ser olhado com complacência, é mal vista. Mas na política… Na política… É apreciada. Se um político mente para dar emprego aos seguidores, derrotar os adversários ou enganar parceiros, o seu gesto tem todas as probabilidades de ser festejado.

A mentira, a fria mentira transformou-se em instrumento de governo. Há muito que os políticos mentem, aqui e ali. Mas sempre com alguma má consciência. Ou desculpa. Ou sentimento de culpa. Agora as coisas mudaram: mentir é possível, simples e necessário. Sem remorsos nem correcção. Se a intenção é boa, qualquer meio serve e a mentira é necessária. Com a guerra do Iraque, ficou consagrado o direito dos governantes à mentira.

Há quem pense que a mentira é reservada às ditaduras. Sem imprensa livre, escrutínio parlamentar ou oposição legal, qualquer ditador mente quanto e quando lhe apetece. Isso é verdade. Com a democracia, tudo seria diferente. A liberdade de expressão e a imprensa seriam suficientes para conter a mentira. O Parlamento, os partidos e as associações de interesses obrigariam os governos a dizer a verdade. As eleições seriam um correctivo para os políticos mentirosos: exigentes, os eleitores castigá-los-iam. Infelizmente, nada disto é verdade. A democracia vive hoje da mentira. Sob todas as suas formas: ocultação, contradição, correcção, circunstância superveniente ou melhor ponderação. A política tem regras parecidas com as que vigoram no futebol, nalguns negócios e na guerra: o único critério importante é ganhar. Só são condenados os que mentem e perdem. Os que mentem e ganham são respeitados.

Não aumentar os impostos é uma mentira clássica. Criar emprego é outra. Tal como aumentar as pensões e os abonos de família. Durão Barroso e José Sócrates, por exemplo, oferecem-nos ilustrações inesquecíveis deste género de mentiras. Apesar de totalmente irresponsáveis, as promessas de criação de empregos teriam uma desculpa: as dificuldades económicas tê-los-ão impedido de concretizar tão gloriosas promessas. É demagogia, mas chama-se-lhe mentira piedosa. Com os impostos, a experiência é mais radical. Os candidatos a primeiro-ministro garantiram, um que baixava os impostos, outro que os não aumentava. Ambos decretaram sólidos aumentos dias ou semanas depois de tomarem posse. As desculpas não se fizeram esperar: não sabiam que a situação financeira do país era tão grave quanto a encontraram! É extraordinário como, para desculpar uma mentira, os primeiros-ministros não se importaram de se confessar ignorantes, incompetentes e irresponsáveis!

Durão Barroso prometeu, antes das eleições, "um choque fiscal" e garantiu que diminuiria os impostos, sobretudo os que incidem sobre as empresas. Não fez nada disso, antes pelo contrário. Mentiu. Mas as suas mentiras passam por ser outra coisa - correcções motivadas pelo conhecimento dos números e dos factos. José Sócrates garantiu, antes das eleições, que diminuiria o número de funcionários públicos em dezenas de milhares, que criaria 150.000 empregos e que não aumentaria os impostos. Não fez nada disso, antes pelo contrário. Mentiu. Mas as suas mentiras passaram por inocentes necessidades.

O PSD e o PS têm, a propósito dos referendos em geral e do referendo europeu em particular, uma longa folha de serviço de mentiras e negações. Já foram a favor e contra várias vezes. O critério é o das conveniências, não o do programa ou da convicção. Se o referendo incomoda o adversário, são a favor. Se correm riscos, são contra. Se a matéria causa mal-estar dentro do partido, são a favor. Se têm de submeter os seus projectos à vontade popular, são contra. Actualmente, está nos programas do PS e do PSD, consta das promessas eleitorais de um e de outro, faz parte do programa do Governo de José Sócrates. Nada disso tem qualquer importância. O PSD é agora contra. E os dirigentes do PS, incluindo alguns ministros, já são contra. Quanto ao primeiro-ministro, só se pode pronunciar em Janeiro, o que é uma desculpa infantil. A verdade é que esta é a mais frequente das variedades da mentira, mas que parece também ter o perdão da opinião pública e a desatenção da imprensa. Não fazer o prometido, deixar de o fazer ou fazer outra coisa é uma forma de sublinhar a mentira original. Mas também passa, na política, por benigno constrangimento.

Será esta mais uma triste sina portuguesa? Nem sequer. A mentira tem-se transformado, nestas décadas, na moeda comum das democracias ocidentais. A guerra do Iraque é, a este propósito, um caso para estudo. As mentiras de George Bush e Tony Blair, dos seus governos e serviços de informação, ultrapassaram tudo o que se conhecia. Sobretudo pelas consequências mortais para tanta gente. Ao lado, as mentiras de George Bush pai, sobre os impostos, de Nixon, sobre tudo, ou de Clinton, sobre o sexo, foram quase inocentes.

Quanto à União Europeia, nem precisa de mentir: os seus ministros usam e abusam do novo hábito. O ministro Manuel Pinho confirmou que a mentira tem vigorado com rigor na União Europeia. Diz ele, em artigo do Diário de Notícias (de que é co-signatário com dois comissários da UE): "A partir de agora, o que a Europa faz e o que a Europa diz são uma e a mesma coisa"! Ficámos a saber, por vozes autorizadas, que a União mentia. Só não sabemos é se esta declaração não passa de mais uma mentira.Será possível contrariar esta nefasta tendência para a mentira? É difícil. Não há esperança nos deputados. Como estes se tratam sempre, uns aos outros, de mentirosos, já ninguém acredita. Se os nossos media escritos, falados ou televisivos, estivessem à altura, talvez a sucessão de mentiras não fosse tão rica. Mas também parece que, com frequência crescente, gostam do novo hábito. Que usam com volúpia. Ou perdoam com malícia.»

António Barreto
PÚBLICO, 28.10.2007

In Mais Évora, 28-10-07

Sim ao referendo

Como os Partidos ou, melhor, os políticos mentem muito, é bom que, para memória
futuro, nos lembremos o que eles prometiam em 2005:

Programa eleitoral do PS: "O governo entende que é necessário reforçar a legitimação
democrática do processo de construção europeia, pelo que defende que a aprovação
e ratificação do tratado deva ser precedida de referendo popular".

Programa eleitoral do PSD: "O PPD/PSD tem a profunda convicção de que o tratado é,
em simultâneo, uma opção boa para a Europa e para Portugal e empenhar-se-á, por isso,
na vitória do sim no referendo nacional sobre o assunto".

Manifesto eleitoral do PCP: "O PCP defende um referendo nacional, antes de uma
indesejável rectificação pela AR (...), que permita aos portugueses pronunciar-se de
forma esclarecida (...)".

Programa eleitoral do CDS: "(O CDS é) favorável à ratificação do Tratado Constituional
e volta a expressar a concordância com o suplemento de legitimação que deverá obter
por parte dos cidadãos europeus, através de referendos".

Manifesto eleitoral do BE: "A condição para a refundação democrática (da UE) é o
chumbo do tratado que institui uma constituição para a Europa". (Expresso)

Agora, caro leitor, é só fazer uma comparação com o que actualmente dizem...

sábado, 27 de outubro de 2007

Parabéns!

Hoje, cá por casa, estamos em festa.
Um dos elementos faz anos.
Feliz aniversário.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

ENSINO - de mal a pior...

Novo Estatuto do Aluno: facilitismo ou visão pedagógica?

Nesta espécie de democracia, qualquer cábula pode chegar a ministro. Por isso o governo deu mais um passo para nivelar o país pela bitola do primeiro-ministro. Com voto contra de toda a oposição, o PS aprovou uma lei que acaba com os chumbos por faltas. Ou seja os miúdos já não precisam ir à escola. Fazem uma espécie de exame e podem seguir.

Como os professores passam a ser avaliados pelos resultados dos alunos, já se está a ver que o aproveitamento escolar vai certamente melhorar para níveis nunca vistos. Por outro lado, como a frequência vai diminuir, o governo vai poupar muito dinheiro em professores e instalações. Por este andar qualquer dia as aulas são pela Internet!

Sob a capa da "solidariedade", da "justiça social" e outras vergonhosas demagogias, o PS tem sido pródigo em medidas de abandalhamento e desqualificação deste serviço público. Para obter um "canudo" os nossos cábulas e os nossos "trabalhadores infantis", já tinham o ensino recorrente e a habilitação de competências. Agora os jovens já nem precisam ir às aulas. Passam a ter mais tempo para dormir, brincar ou trabalhar.

Este país vai ter muitos diplomados, ignorantes e mal formados. Quem quiser filhos bem-educados vai ter que pagar a um colégio privado. Se queres educação paga! Como diz o Menezes é preciso alterar a constituição porque a saúde e a educação públicas, já não são um direito do cidadão português.

In Mais Évora, 26-10-07

Pobre Ensino!...

O ensino e a (des)igualdade social

Os rankings das escolas secundárias que vão sendo divulgados todos os anos mostram que a massificação do ensino não resultou em maior igualdade social, antes pelo contrário, o sucesso das escolas privadas evidenciam que o actual modelo de ensino gera desigualdades. Os mais pobres poderão ter agora mais oportunidades de aceder ao ensino, concluir a escolaridade obrigatória ou mesmo conseguir um curso universitário, mas isso não significa maior igualdade social.

Há sinais evidentes de que o ensino é gerador de desigualdades, são os mais pobres que procuram as universidades privadas, são os mais ricos que acedem a cursos como medicina ou os cursos mais procurados das universidades públicas. Há desigualdade no acesso aos cursos competitivos e ao nível da qualidade da formação adquirida.

Enquanto estudei vivi numa residência universitária onde muitos dos que lá residiam vieram a Lisboa pela primeira vez quando entraram na universidade, a maioria tinha dinheiro para comer porque beneficiavam de subsídios. Apesar disso metade dos que comigo partilhavam a Residência Universitária Ribeiro Santos eram estudantes de medicina no Santa Maria ou de direito na Faculdade de Direito de Lisboa. Dez anos mais tarde nenhum estudante de medicina tinha pedido apoio nos serviços sociais universitários.

O actual modelo de acesso às universidades favorece os que beneficiam de melhor qualidade de ensino e de acesso a informação, ao contrário do que sucedia no passado quando ricos e pobres dispunham dos mesmos manuais e das mesmas escolas. Agora a qualidade do ensino a que um aluno acede e os recursos pedagógicos de que beneficiam depende da sua condição económica. Há escolas para todos, mas mais do que no passado há escolas para ricos e para pobres.

Para além de estarem em vantagem no plano social os mais ricos conseguem hoje uma vantagem adicional proporcionada por um sistema de ensino profundamente dualista, onde para uns se procura a excelência e para muitos outros apenas se ambiciona que concluam a escolaridade obrigatória. Os mais pobres andam em escolas onde o objectivo é não chumbar, os mais ricos andam em escolas onde o objectivo é obter melhores classificações. Os mais pobres, quando podem, pagam explicações para não chumbarem, os mais ricos pagam explicações para terem notas ainda mais altas.

O actual modelo de ensino público está a aprofundar as desigualdades, consolidando-as. Os resultados são evidentes, os licenciados em gestão nos cursos para pobres vão para balconistas da banca enquanto os licenciados nas universidades para ricos dão acesso aos MBA, ao doutoramento e a cargos de gestão. Na medicina esta divisão nem sequer existe, os mais pobres foram banidos das universidades.

Não basta assegurar a igualdade no acesso ao ensino importa também que esse ensino proporcione igualdade.

In O JUMENTO, 25-10-07

FP - Queriam aumento?...Ora toma!!!...

Progressões de carreira só vão beneficiar
1,5 por cento dos funcionários públicos

Segundo o jornal Público, "a verba reservada pelo governo para as
progressões de carreira durante o próximo ano, só deverá chegar
para, no máximo, beneficiar cerca de 1,5 por cento dos trabalhadores
da Administração Pública, ou seja, qualquer coisa como 12 mil
funcionários dos 750 mil existentes".

Como se pode constatar, a promessa do presidente do conselho S de
que, os funcionários públicos iam recuperar poder de compra em 2008
(sic), não deverá, mais uma vez, ser cumprida.

Mas, apesar disso, não se esqueçam de, nas próximas eleições, votar
no "engenheiro"...

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Regionalização

Do "Allgarve", uma saudação especial aos bloguistas da bússola

(www.bussola.blogs.sapo.pt), que, tal como nós, prometem lutar

pela regionalização.

Vai ser penoso mas vamos ganhar!

PCP - A purga continua...

O PCP acaba de retirar à deputada Luísa Mesquita a sua confiança política.

Apesar de ser "o partido com paredes de vidro" a deputada só soube de tal
facto pela comunicação social.

Segundo escreve o jornal Público, desde que em Novembro do ano passado
foi afastada da Comissão de Educação, a deputada deixou de participar nas
reuniões do grupo parlamentar e da Comissão de Saúde.

Na prática, esta retirada da confiança política cria uma situação paradoxal:
se a deputada "deixa de representar o PCP nas instâncias onde está presente",
pode continuar a sentar-se na bancada comunista, já que o mandato de
deputado é individual, passando à condição de deputada independente.

Luísa Mesquita já afirmou que continuará a ocupar quer o cargo de deputada,
quer o de autarca em Santarém e aguarda as decisões disciplinares.

Recorda-se que não se trata de caso único. pois o PCP já assistiu à saída
(forçada ou não) de militantes como: Vital Moreira, Zita Seabra, Barros Moura,
Raimundo Narciso, Mário Lino, Edgar Correia, Carlos Luís Figueira, Vitor Neto,
Dulce Martins, Carlos Brito, José Luís Judas, etc.

Por este andar, ainda o PCP acaba como os seus homólogos francês, espanhol
ou italiano...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

S. no seu melhor...

O presidente do conselho, em 23-10-07, disse no Parlamento Europeu:


"Mas o que eu não posso aceitar como democrata..."
"Eu sou um democrata..."
-
-
Vocês acreditam? Eu não!...
-

Vivam os Boys!...

Ele há bons "tachos", lá isso há!

Numa fase de contenção salarial, com aumentos previstos para a Função Pública da ordem dos 2,1 por cento para o próximo ano, o Governo vai pagar 4650 euros ilíquidos por mês aos gestores dos Programas Operacionais (PO) do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) 2007-2013.

FUNDOS DA UE: REGIME REMUNERATÓRIOGestores (5 membros): 4.650 euros (Remuneração mensal) / 1.025,6 euros (Despesas representação) / 15% (Prémios) / Total: 5.625,64 euros

Vogais Executivos (4 membros): 4.185 euros (Remuneração mensal) / 923,08 euros (Despesas representação) / 15% (Prémios) / Total: 5.108,08 euros

Vogais Não Executivos (16 membros): 1.500 euros (Remuneração mensal) / Total: 1.500 euros(…)

Ele há bons "tachos", lá isso é!

In MAIS ÉVORA, 23-10-07

Mais uma do verbo encher...

Praia perigosa

Numa intervenção que me pareceu desnecessária, que só se justifica pela busca do protagonismo e da notoriedade, a governadora civil de Faro veio à televisão explicar que a praia algarvia onde morreram quatros turistas estrangeiros é conhecida dos habitantes locais por ser perigosa.

O facto é que os turistas que ouvem falar do "Allgarve" como sendo um local onde as crianças podem estar tranquilamente na água, não foram informados disso e quatro deles morreram. O que a senhora governadora deveria ter explicado aos portugueses é a razão porque motivo, sabendo-se que a praia é perigosa, os turistas estrangeiros e nacionais não são devidamente avisados desse facto.

In O JUMENTO, 24-10-07

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Bota abaixo...

A Polónia, já está!

Agora, falta Portugal...

domingo, 21 de outubro de 2007

O DESASTRE DE LISBOA

Porque se ria a hiena

Um excelente artigo de opinião de António Barreto, publicado hoje no Público,
com o qual concordo e aconselho a ler. Eis alguns excertos:

"...Depois de ter prometido a ultrapassagem da América nos domínios do crescimento,
da ciência, da inovação e do emprego, a "Estratégia de Lisboa" foi um monumental
fiasco. Segue-se-lhe o "Tratado de Lisboa", adornado de ainda mais euforia e de ainda
mais ilusões vencedoras. Este desastre de Lisboa não ficará conhecido por aqui se ter
decretado uma Europa federal, comandada por franceses e alemães, distante dos
povos, alheada dos problemas sociais e políticos do continente e contrária à diversidade
secular dos seus povos. Não será isso pela simples razão de que essa Europa federal
nunca terá existência. O desastre de Lisboa ficará na história porque aqui se assinou
um tratado que consagrou a não democracia como regime europeu e consolidou
a burocracia e a nomenclatura europeias. Ao fazê-lo, confirmou a caminhada
futura para uma ilusão senil, irrealizável e não democrática. Ao tentar construir uma
impossibilidade, prepararam a destruição do possível. Ao querer uma União federal,
eliminaram a hipótese de uma verdadeira Comunidade".

"...As instituições democráticas nacionais estão a definhar e alguns direitos fundamentais
são postos em causa na Inglaterra, em França, na Polónia ou em Portugal. Ao mesmo
tempo, as instituições europeias ganham poderes e competências, mas sem povo nem
reconhecimento, sem tropas nem magistrados, sem aceitação pública nem experiência.
A democracia europeia é uma ficção oca, sem substância, sem sociedade e sem vida...
a nomenclatura europeia criou um paraíso artificial e chamou-lhe União.

In Público, 21-10-07